Plano de contas: por que a sua empresa precisa criar um e como fazer

Um plano de contas é essencial para o empresário que quer ter um bom planejamento orçamentário para sua empresa. Todos sabemos que se as finanças de um negócio não estão em ordem, é questão de tempo até que isso se note nos demais setores da empresa.

Isso porque, todos os setores dependem de recursos financeiros para a sua operação. Não existe área de uma empresa que funcione normalmente com recursos escassos ou mal gerenciados.

É aí que entra um plano de contas, já que ele é uma estrutura que organiza as receitas e despesas de um negócio, de maneira bem sistemática. Dessa forma, além de ter as finanças ordenadas, se sabe exatamente para onde está indo o dinheiro e de onde ele vem.

Por ser um plano bem detalhado, não há maneira de se enganar quanto ao preenchimento dos campos de um plano de contas. Além disso, ele tem uma estrutura padrão que é, inclusive, normatizado por uma lei específica.

Quanto mais detalhado o seu plano de contas, mais organizadas vão ser as finanças da sua empresa e mais fácil vai ser lidar com eles. Além disso, pelo fato de o plano de contas ser amparado e normatizado por lei, ele pode ser usado no balanço patrimonial da sua empresa e, também na sua DRE – Demonstração de Resultado do Exercício.

Vamos entender um pouco mais:

O que é um plano de contas

Um plano de contas é uma relação onde constam todas as contas de uma empresa. É esse plano que vai, posteriormente, orientar o setor da contabilidade do negócio, bem como, servir como base para a construção do balanço patrimonial e da DRE, como dissemos acima.

Tipos de plano de contas

Existem dois tipos de planos de contas. Um leva em consideração a lei que citamos acima, e deve ser estruturado de acordo com as Normas Brasileiras de Contabilidade e outra, que é mais aberta e personalizada, direcionada justamente para as necessidades da empresa.

  • Plano de Contas Contábil:

É aquele que segue a estrutura ditada pelas Normas de Contabilidade e pela lei das Sociedades Anônimas. É o tipo mais detalhado de plano de contas.

  • Plano de Contas Gerencial:

É criado para atender as necessidades da empresa e para servir de base para o balanço patrimonial e para a DRE. Costuma ser mais personalizado e, por isso, variar de empresa para empresa.

Como estruturar um plano de contas

Como dissemos, embora um plano de contas possa ter uma estrutura que parece rígida, essa é apenas a forma de ordenar cada conta. Como você pode personalizar essa lista, basta seguir a estrutura proposta, mas elencar as contas da maneira que seja mais prático para sua empresa e seus contadores.

Uma das obrigações da estrutura do plano de contas orienta que a lista seja dividida em, pelo menos, quatro grandes áreas:

  • Ativos
  • Passivos
  • Receitas
  • Despesas

A gente já explicou o que é cada um desses conceitos aqui no nosso passo a passo para criar um balanço patrimonial, mas vale repetir:

Ativos

Ativos são todos aqueles recursos financeiros que a empresa tem disponíveis, assim como os seus bens e direitos. Esses recursos são classificados como Ativo Circulante, Ativo não Circulante e Ativo Total:

Ativo Circulante

É todo aquele conjunto de bens, direitos ou disponibilidades financeiras que podem ser vendidos, consumidos ou negociados, gerando conversão em dinheiro a curto prazo, no caso, em até um ano. Exemplos:

  • Aplicações financeiras: aquelas que podem ser liquidadas de maneira imediata e que geralmente vêm de aplicações feitas no mercado financeiro com recursos excedentes do caixa da empresa.
  • A receber: ativos previstos para terem origem a partir de créditos da empresa, como serviços prestados a receber à prazo ou outros tipos de títulos de crédito.
  • Caixa e banco: aqueles recursos existentes em caixa. Também são considerados, valores que estão em contas no banco ou mesmo, na tesouraria da empresa.
  • Adiantamentos: quando a empresa adianta o pagamento de fornecedores, o produto que está por ser entrega também é considerado um ativo circulante.
  • Estoque: assim como os adiantamentos, o estoque é considerado ativo circulante, pois uma vez que esteja em estoque, um produto está pronto para ser vendido e convertido em dinheiro, de forma rápida.

Ativo Não Circulante

Todos aqueles bens que possuem permanência duradoura. São aqueles itens que são usados para o funcionamento normal e cotidiano do seu negócio. São bens e direitos realizáveis a longo prazo, ou seja, mais de um ano. Estes ativos, ainda, são divididos em 4 tipos:

  • Ativo realizável a longo prazo: são contas de natureza devedora. Aquelas que têm a realização prevista para o longo prazo. As contas de direito sem prazo também se encaixam nesta categoria.
  • Imobilizado: aqueles bens referentes à manutenção da cadeia de produção da empresa ou mesmo o funcionamento da empresa, como, carros, maquinário, móveis e instalações.
  • Intangível: são aqueles ativos que não são físicos ou palpáveis mas representam fonte de renda e valor para a empresa, como a sua marca registrada, patentes, etc…
  • Ativo total: é a soma de todos estes ativos. A soma do Ativo Circulante e do Ativo não Circulante resultam no total de investimento da empresa.

Passivos

Assim como os ativos, os passivos que fazem parte do balanço Patrimonial são divididos em Passivo Circulante e Passivo não Circulante.

Passivo Circulante

São aquelas dívidas e obrigações que normalmente serão pagas dentro do período de um ano. Elas são compostas, principalmente, das seguintes contas:

  • Salários e outros encargos: estes gastos são referentes a gastos com folha de pagamento de funcionários de todo o quadro da empresa, além de prestadores de serviço terceirizados.
  • Empréstimos: dívidas a serem pagas dentro do período, aos bancos e instituições financeiras, por financiamentos e empréstimos concedidos, ou qualquer outro serviço de crédito.
  • Fornecedores: dívidas que devem ser pagas a favor dos fornecedores de matéria-prima e mercadorias.
  • Adiantamentos: valores pagos em adiantamento por clientes que ainda vão receber seus produtos ou serviços.
  • Impostos e contribuições: referente a imposto de renda que fica retido na fonte ou mesmo, às contribuições sociais do quadro de funcionários.
  • Impostos a receber: relacionado aos tributos referentes a bens comprados ou vendidos pela empresa.

Passivo Não Circulante

São aqueles compromissos que a empresa deve honrar a longo prazo, com vencimentos em prazos superiores a 360 dias. Se encaixam na categoria, financiamentos de ativos fixos, como carros, maquinários e equipamentos.

Receitas

As receitas são todos os valores recebidos pela empresa. Elas podem ser originadas de venda de mercadorias, ou mesmo, de juros recebidos, venda de algum ativo e rendimento de algum investimento.

Despesas

As despesas é todo o conjunto de valores que sai da empresa, seja para o pagamento de contas, pagamento de funcionários, renovação ou conserto de equipamentos, compra de matérias-prima, pagamento de fornecedores, etc.

A estrutura de um modelo de contas, levando em conta os códigos de contabilidade seria:

  1. Ativo

   1.1 Circulante

         1.1.1 Disponível

         1.1.2 Aplicações Financeiras

         1.1.3 Clientes

         1.1.4 Outras contas a receber

         1.1.5 Estoques

         1.1.6 Despesas Antecipadas

   1.2 Não Circulante

  1. Passivo

   2.1 Circulante

   2.2 Não Circulante

   2.3 Patrimônio Líquido

  1. Despesas

   3.1 Custos diretos da produção

   3.2 Despesas Operacionais

   3.3 Outras Despesas

  1. Receita

   4.1 Receita Bruta sem vendas e serviços

   4.2 Dedução de Receita Bruta de vendas e serviços

   4.3 Receita Operacional

   4.4 Receita de Participações Societárias

   4.5 Outras Receitas

  1. Contas de Compensação

Mais simples do que parece, não é?  Além disso, se você gostou do assunto, a gente separou um vídeo que fala um pouco mais sobre esse tema:

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