Como o pequeno negócio pode vender pela Internet?

A crise econômica que atinge o Brasil tem colocado à prova os pequenos e médios negócios em atividade no país. Somente nos quatro primeiros meses de 2016 as vendas do comércio varejista recuaram 6,9%, conforme o levantamento mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 12 meses a retração é de 6,1%, pressionada por fatores como o enfraquecimento do mercado de trabalho, a maior dificuldade de acesso ao crédito, a alta dos juros e a inflação crescente.

Os efeitos desse mercado enfraquecido já atingem os microempresários. Levantamento da consultoria Serasa Experian indica que 4,4 milhões de empresas estão inadimplentes, de um total de aproximadamente 8 milhões que estão em atividade no país. Mais de 45% dos negócios negativados pertencem ao setor do comércio, indica a consultoria.

Esse cenário adverso força pequenos empreendedores a buscarem a diversificação nos negócios. Apostar no potencial de vender pela Internet está entre as alternativas mais práticas e acessíveis para seguir nessa estratégia. Além de quebrar barreiras geográficas, o uso desse canal permite que o comércio obtenha um ganho de escala que seria inviável apenas com a loja física.

Mas, apesar de todas as vantagens da venda pela Internet, muitos empreendedores ainda pensam que a entrada nesse mercado é muito complexa ou restrita à grandes empresas varejistas. Isso não passa de um mito. Pequenos e médios negócios têm à disposição uma série de recursos que facilitam o acesso ao mundo do e-commerce. Listamos abaixo algumas possibilidades.

Criar uma loja própria

Nesse modelo o lojista gerencia toda operação online da empresa, desde a estruturação do site até o gerenciamento de pedidos e vendas. Com isso o trabalho se torna mais complexo, exigindo um grande investimento de tempo e dinheiro. A concorrência também se torna mais acirrada, já que é preciso competir com outros e-commerces e grandes redes varejistas. No contraponto, é possível reduzir o gasto com comissões e intermediários.

O principal desafio para atuar nesse modelo é a implementação, já que será preciso investir em uma plataforma de e-commerce, sistemas de pagamento, servidores para o site e um domínio. Tudo isso sem colocar em risco a segurança de dados dos clientes. Também será necessário gastar com a divulgação da loja virtual, em campanhas de marketing dentro de plataformas como o Facebook e o Google. Por fim, será necessário utilizar sistemas de gerenciamento de pedidos e logística de entrega dos produtos.

Vender pelas redes sociais

Com usuários conectados cada vez mais tempo nos sites e aplicativos de redes sociais, esse espaço também se tornou um importante canal de venda. Nesse modelo os lojistas concentram em uma única interface a oferta de produtos e o atendimento aos clientes.

Algumas ferramentas permitem a integração de lojas com redes sociais como o Facebook, nas quais é possível apresentar fotos e descrições de produtos. Com isso o lojista reduz os custos de implementação do e-commerce, mas precisa investir na divulgação da marca, além do gasto com comissões.

Utilizar o Mercado Livre

Esta tem sido a alternativa mais utilizada pela maioria das lojas físicas para gerenciar as vendas online. Nesse caso o comerciante tem acesso a uma loja virtual pronta, que utiliza toda a infraestrutura do Mercado Livre para administrar pedidos e pagamentos. Basta fazer o cadastro dos produtos, preparar os anúncios e iniciar os negócios, sem a necessidade de grandes investimentos.

Embora viável, a operação nesse canal de vendas também possui limitações. As vendas ficam restritas aos usuários da plataforma e o lojista precisa arcar com o pagamento de comissões. Além disso, todo o trabalho de suporte ao cliente fica por conta do lojista.

Entrar nos marketplaces

A aposta nos marketplaces está entre as opções mais práticas para pequenos e médios empresários venderem pela Internet de forma ágil e acessível. Nesse modelo o lojista pega carona na visibilidade e reputação das grandes redes varejistas, sem ter que investir na estruturação e manutenção de um e-commerce. A audiência e abrangência geográfica desses sites permitem um salto na escala de vendas, em um volume muito superior ao possível na loja física. O recebimento pelos pedidos concretizados também é simplificado, o que favorece o fluxo de caixa do negócio.

Para começar a vender nestas plataformas o lojista precisa negociar com as grandes redes varejistas, o que exige desembolso para providenciar documentos e eventualmente participar de reuniões presenciais. Também é preciso pagar comissões relativas a cada venda concretizada.

Por outro lado, parte desses desafios podem ser contornados com o uso de plataformas de gestão integrada, como o Olist. Nesse caso não é preciso negociar com os marketplaces e toda a administração de produtos, vendas e logística de entrega fica concentrada em um só lugar.

Como ser bem-sucedido nas vendas?

Independente do canal utilizado, a adoção de algumas boas práticas faz toda a diferença para o sucesso nas vendas pela Internet. São as seguintes:

  • Fotos: elas são como a vitrine da sua loja física. Imagens com baixa resolução, cenários estranhos ou que possuem falta de detalhes pode espantar os clientes virtuais.
  • Descrição: como o cliente não pode tocar o produto, ele precisa do máximo de informações possíveis para tomar a decisão de compra. As descrições precisam ser interessantes, detalhando todos os atributos do item anunciado, bem como detalhes de utilização e conservação.
  • Estoque: ao vender pela Internet o volume de potenciais clientes é muito superior ao das lojas físicas. Por essa razão é preciso estar preparado para dar conta da demanda, com um estoque que permita a entrega rápida dos produtos.
  • Logística: ao contrário das lojas físicas, a responsabilidade da entrega nas vendas online é do lojista. Sendo assim é preciso ser ágil no envio dos produtos, garantindo um acondicionamento adequado dos produtos e evitando atrasos.

Conclusão

Existem diversas maneiras do pequeno e médio empreendedor vender pela Internet. Com ferramentas simples e de baixo custo é possível otimizar todas as etapas desse processo, desde a integração até a gestão financeira. O uso desses recursos, associado a execução de boas práticas para vendas online, cria as condições favoráveis para o crescimento de todo o negócio.

Assim, pode-se ampliar a abrangência geográfica do negócio e o número de clientes sem grandes investimentos de tempo e dinheiro. Isso pode ser decisivo para garantir a estabilidade do negócio em um momento de fraco desempenho na loja física, por exemplo.

Sobre o autor:

Igor Castanho

É jornalista, economista e especialista em inovação. Atua na equipe de marketing do Olist, startup brasileira que oferece uma solução integrada para a venda nos principais marketplaces do país. A plataforma permite a gestão logística, administrativa, financeira e de suporte ao cliente em uma única interface, facilitando o trabalho de mais de 800 lojistas em todo o país.

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3 Comments

  1. Vanderlei Souz 17 de junho de 2016 at 16:32

    Ótimo texto!

  2. Valnisia 3 de dezembro de 2017 at 19:00

    Olá, Igor.
    Realmente a crise que se instalou no país tem sido um verdadeiro desastre para muitas empresas. A iniciativa de vender pela internet está ajudando bastante pequenos empreendedores, uma excelente saida.
    Parabéns pelo artigo.

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